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Sunday, August 18th, 2019

Empresa de Cingapura assume Galeão de olho em Santos Dumont e Congonhas

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by December 20, 2017 General
Presidente executivo da Changi Airports International, Lim Liang Song
– Custódio Coimbra

RIO – O presidente executivo da Changi Airports International (operadora do aeroporto de Cingapura), Lim Liang Song, pensou que teria um fim de 2017 tranquilo. À frente da empresa que é sócia da RIOgaleão desde o leilão do aeroporto carioca, em 2013, ele imaginava que, finalmente, teria um novo sócio em substituição à Odebrecht Transport, investigada pela Lava-Jato. Há duas semanas, a chinesa HNA lhe avisou que não conseguiria as aprovações necessárias junto ao governo de Pequim para viabilizar o negócio a tempo. Lim passou os últimos 15 dias sem piscar o olho em intermináveis teleconferências. Com o aval do chefe do grupo sediado em Cingapura, comprou a fatia da Odebrecht, passando a deter 51% do Galeão.

Nesta entrevista exclusiva, ele confessa que a Lava-Jato pegou a empresa de surpresa, mas lembra que está acostumado a investir em países com risco político elevado, como Rússia, Arábia Saudita e até Myanmar. A estratégia daqui para frente, diz o novo presidente do Conselho de Administração da RIOgaleão, é focar na ampliação do número de voos do terminal e transformá-lo numa plataforma de expansão do grupo no país e na América Latina. No Brasil, a empresa está de olho em Santos do Dumont e Congonhas, caso sejam concedidos.

Quando você foi avisado pela HNA que ela não conseguiria as aprovações necessárias do governo chinês a tempo de concluir a compra da fatia da Odebrecht Transport no Galeão?

Há duas semanas. Ela precisava de cinco aprovações: duas do Ministry of Commerce (Ministério do Comércio), tanto em nível de província como em nível do governo central; duas do National Development and Reform Comission (equivalente ao Ministério do Planejamento), também nos dois níveis, e uma do State Administration Foreing Exchange (órgão que regula o câmbio internacional na China). Ficaram duas pendências.

Ficaram surpresos?

Estávamos acompanhando a situação, sabíamos que o cronograma estava apertado, mas estávamos esperançosos. Quando a HNA disse que não conseguiria, pensamos: esse negócio pode não acontecer. Falei com o meu chefe, que decidiu fechar o acordo no lugar deles. Foram vários dias de teleconferências durante a madrugada. Cingapura está dez horas à frente do horário brasileiro.

Quanto afinal foi aportado na RIOgaleão?

Na segunda-feira, pagamos R$ 1 bilhão de outorga referente ao ano de 2017. Hoje (ontem) pagamos R$ 1,5 bilhão relativo ao adiantamento das outorgas de 2018 e um pedaço de 2019. Tudo em cash. Em junho do ano que vem, pagaremos mais cerca de R$ 1 bilhão que corresponde ao resto do adiantamento da parcela de 2019 e um pedaço de 2020. Usaremos parte do financiamento de longo prazo do BNDES, que assinamos ontem, para pagar essa última parcela. A liberação do crédito era condição para que fizéssemos o investimento.

A Changi, ao lado da Odebrecht e da Infraero, deram um lance de R$ 19 bilhões em 2013 no leilão do Galeão. Um ágio de quase 300%. Depois, veio recessão, Lava-Jato e um potencial sócio que saiu na última hora e fez a empresa aportar ainda mais dinheiro. Está arrependido?

Sabemos que o país enfrenta um período difícil por causa da recessão, da Lava Jato, da política. Mas somos otimistas. Todo negócio pressupõe riscos, mas nem sempre é possível vê-los com clareza. Tivemos um fator excepcional, que foi a Lava-Jato. Foi uma surpresa para nós e, francamente, não percebemos a gravidade da investigação logo no início. No entanto, está claro para nós que o Galeão é um ativo muito valioso. Temos muita confiança no aeroporto e no Brasil.

A compra da fatia da Odebrecht foi uma solução temporária?

A HNA ainda está tentando obter as aprovações. Não sei se, no fim, eles vão voltar. Estamos abertos à discussão. Mas, agora, estamos focados no retorno financeiro. Em algum momento, devemos buscar investidores. Nossa estratégia é bem ambiciosa. Não estamos apenas olhando o aeroporto em si e ,sim, o início da construção de uma plataforma para expansão em outros estados brasileros e países da América Latina.

Em quais aeroportos a Changi está de olho?

Temos interesse em Congonhas e Santos Dumont, caso eles fiquem disponíveis para concessão. É um plano de longo prazo.

Quais os próximos passos no Galeão?

Vamos focar em conectividade, aumentar o número de voos, as conexões com outras cidades. A força de um aeroporto depende dessa rede. E também no retorno do investimento. O plano original previa que teríamos perdas por cerca de sete anos (pois os investimentos seriam maiores que as receitas), mas o fluxo de caixa continuaria a subir. Temos que nos recuperar da recessão. É possível que o ritmo seja mais devagar um pouco, mas estamos confiantes que haverá ganhos de desempenho.

Haverá mudanças na estrutura da RIOgaleão?

Não vamos mudar a diretoria. Trabalhamos de forma diferente. Mandamos equipes nossas de tempos em tempos aqui a cada duas semanas ou a cada mês, que acompanham o dia a dia do aeroporto de perto, mas que não exercem um cargo executivo. No Conselho de Administração, tínhamos duas cadeiras e agora teremos cinco. O governo tem as outras três (duas da Infraero e uma da SAC).

A Changi deixou de ter um sócio na mira da Lava-Jato, mas a incerteza política continua? Como vê isso?

Temos aeroportos na Rússia, na Índia, na Arábia Saudita… Acabamos de ganhar uma concessão em Myanmar. O risco político está sempre sendo considerado. O que procuramos fazer é nos certificarmos de que os países em que investimos têm economia resiliente. São países em que a infraestrutura e as companhias aéreas não estão plenamente desenvolvidas. Quando elas crescem, crescem rápido.

A reforma da Previdência teve que ser adiada para 2018? Isso é preocupante?

Algumas reformas estruturais têm que ser feitas. Podem não acontecer hoje, amanhã ou no ano que vem. Mas terão que ser feitas. Esperamos que a reforma da Previdência passe no Congresso.

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