Skip to Content

Wednesday, November 13th, 2019

Luís Cabral

Closed
by April 27, 2016 General

Uma visita de uma semana a Singapura deu-me oportunidade de conhecer melhor esta cidade-estado de 700 k2 e 5 milhões de habitantes. Singapura é um portento económico, nomeadamente no que respeita ao transporte marítimo e às finanças. Tal como os Estados Unidos — o meu país de residência — Singapura é um autêntico “caldeirão cultural” (“melting pot”): vêem-se chineses, malaios, indianos, europeus; fala-se inglês, mandarim e várias outras línguas. Metade da população nasceu aqui, sendo a outra metade constituída por imigrantes vindos um pouco de todo o lado.

As semelhanças com os Estados Unidos terminam aqui. Politicamente, o estado é dominado pelo Partido de Acção Popular (ganhou todas as eleições desde 1959, o ano da autonomia do Reino Unido). Para uns, o partido projecta uma imagem de experiência e qualificação; para outros, é demasiado autoritário e restritivo das liberdades individuais. Em mais de meio século, Singapura teve apenas três líderes políticos.

Um dos aspectos mais notórios deste autoritarismo é o regime de censura. Nos Estados Unidos, um governo desta natureza não sobreviveria a primeira re-eleição: o direito de expressão é algo sacrossanto para os americanos, um princípio de que não se pode abdicar por mais importante que seja a justificação.

No entanto, este autoritarismo e paternalismo tem as suas vantagens: por exemplo, o sentimento (e a realidade) de segurança são notórios, mesmo em comparação com as partes mais seguras das cidades mais seguras dos Estados Unidos.

Qual é o melhor sistema? Em certo sentido, esta é a pergunta errada: há americanos que não sonhariam viver em Singapura, bem como singapuranos (é assim que se diz?) que rejeitam a ideia de se mudar para os Estados Unidos. A moral da história é que, no que respeita a regimes políticos, não existe uma solução ideal única. E como as pessoas diferem no que respeita às suas preferências, também os regimes diferem no ênfase que é colocado em diferentes dimensões: segurança, liberdade de expressão e outras.

Vive la diference!

Previous
Next